Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil
Em defesa da Reforma
Agrária e da Soberania Alimentar e Territorial. Plebiscito de iniciativa
popular na Semana da Pátria.
O Brasil é um dos países
com maior concentração fundiária do mundo. Os minifúndios representam 62,2 %
dos imóveis e ocupam 7,9 % da área total. Os latifúndios são 2,8 % dos imóveis
e ocupam 56,7 % da área total. Esta concentração de terras tem se agravado nos
últimos anos com o aprofundamento do padrão de desenvolvimento capitalista no
campo, especialmente pelo incremento da produção de agroenergias.
Os grandes projetos do
agronegócio, baseados no monocultivo, agroquímica, transgenia, geração de
commodities agrícolas e produção para exportação, agravam a exclusão social e
produtiva da maioria da população, expulsando a população camponesa de suas
terras, aumentando a violência no campo, a degradação ambiental e a
super-exploração do trabalho.
Ignorando tais problemas,
os governos colocam as estruturas e os investimentos públicos no apoio a este
modelo produtivo e, amparados pela grande mídia, justificam tal apoio com o
falso discurso da eficiência produtiva e financeira do agronegócio.
As alianças políticas do
governo com o agronegócio impedem que a reforma agrária volte para o centro da
agenda política nacional. Contrariando os compromissos firmados com os
trabalhadores e trabalhadoras, o governo não está realizando a reforma agrária,
pois não rompeu com os limites históricos e conjunturais de ordem política,
legal, administrativa e econômica que impedem os avanços da reforma agrária. As
ações continuem lentas, atomizadas, pontuais e incapazes de produzir alterações
significativas na realidade fundiária e na vida dos trabalhadores(as) rurais.
Os trabalhadores e
trabalhadoras rurais mantêm o permanente processo de luta pelo direito à terra
por meio da Reforma Agrária, que cada vez mais se torna essencial para garantir
os direitos dos povos, das comunidades e dos países, ao modo de viver, de
produzir e de conservação da biodiversidade.
Nesta luta, o Fórum
Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, que reúne 45 entidades e
organizações sociais que lutam pela democratização da terra e pelos direitos
humanos dos povos do campo, está realizando a CAMPANHA PELO LIMITE DA
PROPRIEDADE DA TERRA NO BRASIL: em defesa da Reforma Agrária e da Soberania
Alimentar e Territorial.
Esta campanha denuncia a
injusta realidade agrária do Brasil e luta pela democratização do acesso à
terra para todos os brasileiros(as) que dela precisam para viver e trabalhar. A
realização da reforma agrária é a garantia de diretos humanos e da soberania
territorial e alimentar para o conjunto da população.
Assim, as organizações e
movimentos sociais que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça
no Campo conclamam a todas as demais forças democráticas da sociedade para
cerrar fileiras nesta luta para democratizar a terra e construir o país
soberano e justo que todos sonhamos.
Participe da Campanha:
1. Fazendo a mais ampla divulgação possível,
através de todos os meios à sua disposição, sobretudo escolas, igrejas, locais
de trabalho, associações e sindicatos, para que a sociedade tome consciência da
necessidade de realizar uma ampla reforma agrária;
2. Fazendo pressão sobre os parlamentares
para que votem a favor da Emenda Constitucional que limita o tamanho da
propriedade e acaba com o latifúndio no Brasil.
O Fórum Nacional pela
Reforma Agrária e Justiça no Campo conclama todas as pessoas para que ajudem a
realizar um Plebiscito de iniciativa popular que acontecerá na Semana da Pátria
(01 à 07 de setembro de 2010) .Vamos lutar para que fique expresso em nossa
Constituição um limite máximo para a propriedade rural no Brasil. Assim poderão
ser criadas possibilidades reais de acesso à terra para milhões de
trabalhadores rurais sem terra estabelecendo condições para a redução da
miséria no Brasil.
No caso do estado do Rio
de Janeiro a limitação do tamanho da propriedade da terra em 35 módulos fiscais
atingiria 606 imóveis, com área média de 1003 ha, totalizando 608.015 ha. Isto
permitiria garantir o acesso à terra de muitos trabalhadores sem terra que
perambulam pelos campos e as periferias das cidades do estado.
Por isso, o Fórum Estadual
pela Reforma Agrária e a Justiça no Campo convoca todos os lutadores populares
a se juntarem a nossa Campanha.