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CONCLAT: no caminho da construção de uma nova central

A desagregação do bloco social construído a partir do fim da ditadura militar, cujas principais expressões foram o PT e a CUT, dispersou e desorganizou imensamente as forças da classe trabalhadora brasileira. Embora outras organizações que integraram esse bloco continuem a expressar minimamente as necessidades e os interesses imediatos das massas exploradas (como o caso do MST), do ponto de vista estratégico permanecemos diante da colossal tarefa de recompor a unidade da classe para o enfrentamento contra os patrões, os governos e a sociedade do capital.

A partir do esvaziamento da CUT como referência da independência de classe, vários movimentos vêm se fortalecendo na luta contra o governo Lula e nas lutas cotidianas contra os interesses do capital, como a Conlutas e a Intersindical. Esses setores, junto a outros movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Terra e Liberdade (MTL), o Movimento Avançando Sindical (MAS) e a Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo, estão convocando para os dias 5 e 6 de junho de 2010 o Congresso da Classe Trabalhadora (CONCLAT) visando a unificação desses movimentos numa nova central unitária.

Questões para o debate

Diante dos desafios da conjuntura, é fundamental que a classe possa ter instrumentos de frente única capazes de organizá-la para o enfrentamento da crise econômica e de contribuir para o avanço de sua consciência de classe. No entanto, é preciso evitar que essa nova organização seja decidida pelos interesses dos aparatos existentes, marcados pela fortíssima tradição burocrática do sindicalismo brasileiro, amarrado desde os anos 1930 à sombra do Estado e dependente do imposto sindical.

Se é verdade que devemos ir além da experiência da CUT (que acabou por se limitar a ser uma central das organizações sindicais oficiais, atuando estritamente como nos limites das relações salariais), não podemos cair no equívoco de pensar a nova central como um novo super-aparato, sufocando a autonomia dos movimentos sociais. A Nova Central deve ser um instrumento para fortalecer e não para substituir a auto-organização dos movimentos sindicais, populares e estudantis. E, nesse sentido, é necessário operar uma ruptura completa com o Estado burguês, resgatando e concretizando a bandeira histórica da liberdade e autonomia sindical.

Nesse sentido, apoiamos a idéia de que a nova central possa construir-se como uma articulação das diversas formas de expressão da classe trabalhadora, tal como esta se manifesta na realidade social concreta, profundamente marcada pelas novas realidades impostas pelas mudanças na anatomia da sociedade do capital.

Deve portanto abarcar não apenas as organizações sindicais tradicionais (direções e oposições), mas também as organizações por empresas e bairros que unifiquem a classe trabalhadora como sujeito político autônomo frente ao capital e às classes dominantes. Organizações como comissões de fábrica, comitês de empresa, fábricas autogestionárias, assentamentos rurais, espaços culturais e  desportivos, associações de desempregados, etc.

A participação dos chamados movimentos populares na nova central também deve ser discutido a partir da lógica de classe. Movimentos anti-opressão que se reclamem abertamente da classe trabalhadora não devem ficar de fora.

As organizações supra-classistas, ou seja, que não tenham critérios de classe para definir sua composição, como é o caso das entidades estudantis, deveriam articular-se com a nova central através de um fórum permanente de mobilização.

Acima de tudo, a nova central deve ser uma organização profundamente democrática, superando as debilidades políticas e burocráticas que atingem mesmo os movimentos mais combativos, com fortes doses de aparelhismo, personalismo, despolitização e autoritarismo em suas práticas. A necessidade de ruptura com as limitações da experiência da classe trabalhadora brasileira impõe a criação de mecanismos de controle das direções pela base, como subordinação das diretorias às instâncias de base, revogabilidade de mandatos, predomínio do princípio da direção colegiada em substituição à cultura presidencialista, limitação às reeleições de dirigentes liberados, rodízios no desempenho de tarefas administrativas, etc.

Enfim, que a nova central seja construída a partir de baixo, pela base, e não apenas um arranjo para a conformação de um novo aparato burocrático, com seus dirigentes e aparelhos.

O sindicalismo classista deve reconstruir a Frente de Esquerda!

A classe dominante tenta transformar as eleições deste ano em um Fla-Flu eleitoral. Querem que o povo acredite que existem apenas duas alternativas: Dilma e Serra. Dois candidatos que, apesar de terem diferenças, defendem um mesmo modelo de desenvolvimento, que beneficia os ricos e dá migalhas aos pobres. Um modelo que destrói a natureza em nome do progresso, quando na verdade facilita aos grandes empresários o acesso aos recursos naturais.

Os partidos socialistas que assumem a defesa dos interesses da classe trabalhadora recusam essa mentira e se preparam para desmascarar esses projetos políticos e apresentar uma alternativa séria, voltada para mudanças reais que beneficiem os trabalhadores, pobres e as comunidades oprimidas. Mas, infelizmente, ao contrário de 2006, estão sendo lançados três candidatos de esquerda. Uma situação ruim, pois divide nossas forças em um momento em que as forças patronais se encontram eum uma situação favorável. Para os capitalistas tanto faz se Dilma ou Serra ganhe a eleição. Seus interesses estarão preservados por qualquer um deles.

Mas a nossa situação é diferente. Estamos numa luta dura para desmascarar as mentiras do governo e mostrar que existe outra alternativa, socialista e classista. Por isso, a unidade política nessas eleições é fundamental, para entrarmos no processo eleitoral com força.

Ivan Pinheiro (PCB) e Zé Maria (PSTU) são dois candidatos que merecem nosso respeito pela sua trajetória de luta. Porém, a candidatura capaz de somar forças, de dialogar com os vários movimentos sociais, apresentar um projeto político coerente com as necessidades da população trabalhadora é a de Plínio de Arruda Sampaio. É um companheiro que ao longo de toda sua vida tem demonstrado coerência e compromisso com as causas populares.

Ainda é tempo  de resgatar a unidade da esquerda em torno de Plinio de Arruda Sampaio, reconstruindo a Frente de Esquerda!



   
 
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