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Quando os assassinos “lamentam” suas vítimas
Algumas palavras sobre as trágicas mortes de três pessoas no dia 05 de maio de 2010, na Grécia

As grandes manifestações da Greve do Cinco de Maio se transformaram em uma avalanche de ódio social. Pelo menos 200 mil pessoas de todas as idades (empregados dos setores público e privado, desempregados, imigrantes e locais) tomaram as ruas numa tentativa de cercar e ocupar o parlamento. As forças da repressão, como de hábito, desempenharam o papel de proteger as autoridades políticas e financeiras. Os embates foram longos e intensos. O sistema político e as instituições se encontravam ameaçados pela revolta popular.

Entretanto, houve um trágico episódio, indescritível por quaisquer palavras: três pessoas morreram durante o incêndio do Marfin Bank.

O Estado e o aparato midiático oficial, sem a menor vergonha da morte de um dos seus, falou em "jovens assassinos", tentando aproveitar o acontecimento para diminuir a onda de ódio social que veio à tona e retomar sua autoridade perdida; para impor uma ocupação policial nas estradas e desarmar os focos de resistência social e desobediência contra o terrorismo de Estado e a barbárie capitalista. Assim, as forças policiais invadiram o centro de Atenas, promovendo detenções para atacar a ocupação anarquista "Espaço de ação multiforme unida" na Rua Zaimi e num outro local de resistência chamado “Migrant haunt”, causando danos. Na mesma hora, as violentas investidas policiais atingem outros espaços de auto-gestão, logo após o discurso do primeiro-ministro, que falava em prender os "assassinos"

Os governantes, burocratas, seus porta-vozes políticos, as redes de televisão e o jornalismo oficial, tentam absolver o regime e criminalizar os anarquistas e qualquer voz combatente não-patronal. Como se existisse qualquer hipótese de que aqueles que atacaram o banco soubessem que havia gente dentro, e mesmo assim, não se importassem em atear fogo. Eles parecem confundir as pessoas combativas com eles mesmos: foi o governo que, sem titubear, atacou a sociedade com a mais violenta pilhagem e escravidão. Ordenou ao seu aparato repressor atirar no povo para matar. Levou, só na semana passada, três pessoas ao suicídio em razão de dívidas.

O fato é que o verdadeiro assassino, o verdadeiro instigador das trágicas mortes de hoje, é o “senhor” Vgenopoulos, que forçou seus empregados a trabalhar em um dia de greve. Um patrão que promove a extorsão diária do trabalho alheio através de uma escravidão assalariada.

Se uma greve sem precedentes pode ser tratada como um assassinato...

Se uma demonstração sem precedentes, em uma crise sem precedentes, pode ser um assassinato...

Se espaços sociais abertos que são vivos e públicos podem ser assassinos...

Se Vgenopoulos pode trancar seus empregados dentro de um banco - que é naturalmente um inimigo social primordial e um alvo de demonstrações...

... é porque a autoridade, esse assassino em série, quer matar logo em seu nascimento a revolta que questiona a suposta solução de um ataque ainda mais duro à sociedade, de uma pilhagem ainda maior por parte do capital, de uma ainda mais sedenta sucção de nosso sangue.

... é porque o futuro da revolta não incluí políticos e patrões, polícia e a mídia de massas.

... é porque por trás da exaustivamente propagandeada “única” solução, existe a solução que não fala em desenvolvimento combinado com desemprego, mas de solidariedade, auto-organização e relações humanas.

Quando se pergunta quem são os assassinos da vida, da liberdade, da dignidade, os fermentos da autoridade e do capital, eles e seus caçadores precisam apenas se olhar no espelho. Hoje e sempre.



FORA DOS ESPAÇOS SOCIAIS LIVRES

O ESTADO E OS CAPITALISTAS SÃO OS ASSASSINOS,

TERRORISTAS E CRIMINOSOS

TODOS ÀS RUAS!

REVOLTA!

Texto aprovado na Assembléia Aberta da tarde de 05 de maio de 2010

(versão original "The murderes 'mourn' their victms", retirada do sitehttp://www.occupiedlondon.org/blog/2010/05/06/280-statement-by-the-skaramanga-squat-in-athens-regarding-todays-events-the-murderers-mourn-their-victims)

(Tradução de Guilherme Basto Lima)



   
 
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