1. A crise econômica global continua. Enormes quantidades de dinheiro foram injetadas no sistema financeiro – 14 bilhões de dólares para as medidas de salvação dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da zona do euro, 1,4 bilhão de dólares em 2009 para novos empréstimos bancários na China – tantos esforços para aportar uma nova estabilidade à economia mundial. Mas se estes esforços serão suficientes para produzir um restabelecimento durável, a questão continua aberta. O crescimento continua sendo muito frágil nas economias avançadas, enquanto que o desemprego continua aumentando. Existem temores de que se esteja desenvolvendo una nova bolha financeira, desta vez centrada na China. O caráter prolongado da crise – a mais grave desde a Grande Depressão – é sintomático pelo fato que suas raízes estão na própria natureza do capitalismo como sistema. 2. Depois de uma severa onda de perda de empregos, o foco da crise na Europa agora está no setor público e no sistema de previdência social. Os mesmos mercados financeiros que foram salvos graças aos planos de salvação estão agora em pé de guerra contra o aumento da dívida pública que estes planos geraram. Pedem grandes cortes nos gastos públicos. Esta é uma tentativa de claro caráter de classe para fazer pagar os custos da crise não aos que a provocaram – os bancos, em primeiro lugar – mas sim às trabalhadoras e aos trabalhadores – não apenas aos empregados no setor público, mas também a todos os usuários dos serviços públicos.
3. Atualmente, a Grécia está no olho do furacão. Como tantas outras economias européias, a grega é particularmente vulnerável, em parte pelo fato de ter acumulado dívidas durante a fase de expansão, em parte porque é incapaz de competir contra a Alemanha, o gigante da zona do euro. Sob pressão dos mercados financeiros, da Comissão Européia e do governo alemão, o governo de Georgios Papandreou abandonou suas promessas eleitorais e anunciou cortes orçamentários que equivalem a 4% do produto nacional.
4. Felizmente, a Grécia possui uma história rica em resistências sociais desde os anos 70. Após a revolta da juventude, em dezembro de 2008, o movimento operário grego respondeu ao pacote de cortes orçamentários governamentais com uma onda de greves e de manifestações. Saudamos também o exemplo do referendo na Islândia no qual o povo rechaçou a proposta de reembolsar a dívida imposta pelos bancos.
5. Os trabalhadores gregos precisam da solidariedade revolucionária de sindicalistas e anticapitalistas de todos os países: a Grécia é o primeiro país europeu que se encontra no alvo dos mercados financeiros, mas a lista de potenciais objetivos visa vários outros países, Espanha e Portugal em primeiro lugar.
6. Precisamos de um programa de medidas que possam tirar a economia da crise sobre a base de uma prioridade dada às necessidades sociais, mais que aos lucros, e que imponha um controle democrático do mercado. Devemos lutar por uma resposta anticapitalista: nossas vidas, nossa saúde, nossos empregos valem mais que seus lucros.
- Todos os cortes nos orçamentos públicos domésticos devem ser barrados ou invertidos: não às "reformas" dos sistemas de aposentadoria; a saúde e a educação não se vendem; - A garantia do direito ao emprego e um programa de investimento público em empregos verdes: transportes públicos, indústrias de energias renováveis e adaptação dos edifícios privados e públicos para reduzir as emissões de dióxido de carbono; - Pela criação de um sistema bancário e financeiro público unificado sob controle popular! - Os imigrantes e refugiados não devem ser os bodes expiatórios da crise: regularização para todos! - Não aos gastos militares: retirada das tropas ocidentais do Iraque e do Afeganistão, reduções drásticas dos gastos militares e dissolução da OTAN. 7. Decidimos organizar atividades de solidariedade por toda a Europa contra os cortes nos orçamentos sociais e os ataques capitalistas. Uma vitória dos trabalhadores gregos fortalecerá a resistência social em todos os países. Sábado, 10 de abril de 2010
Novo Partido Anticapitalista (França) Socialist Workers Party (Grã-Bretanha) |