PÁGINA INICIAL
IST/TSIReceba o boletimJunte-se a nós!Links
BUSCADOR

NA MIRA
Atividades e eventos
Plínio presidente!
Palestina livre!
A crise capitalista
Em defesa do MST
Belo Monte
Lutas e campanhas
ATUALIDADES
Atualidades e notícias
Análises
Anticapitalismo
Movimentos sociais
Juventude
PSOL
Debates
Notícias do PSOL
1º Congresso
Resoluções
Reagrupamento da esquerda
Documentos
Crise no PSOL
ECOSSOCIALISMO
Copenhague
Tijuco Alto
Meio-ambiente
CONTRA A OPRESSÃO
Gênero
LGBT
Antiracismo
Questão indígena
Outros temas
PUBLICAÇÕES
Revista Revolutas
Cadernos Revolutas
TEORIA
Introdução ao socialismo
Lutas e revoluções
Socialismo em debate
Outros textos
CULTURA
Vídeos
Dicas
Cinema
Poesia
Letras de música
Mídia
Música
Literatura
Quadrinhos
Humor
VOLTAR

Pior que nada: o plano de saúde de Obama

Muita gente dentro e fora dos Estados Unidos aplaudiu a aprovação do plano de saúde do presidente Barack Obama no fim de março. Depois de uma maratona de negociações no último ano, Obama conseguiu convencer congressistas relutantes do seu próprio partido a apoiar a legislação que já foi aprovada pelo Senado e pela Casa Branca.

Mas a aprovação do plano de saúde de Obama tem muito mais a ver com o próprio destino político de Obama, frente aos ataques da direita e à falta de ações progressistas do próprio governo, que uma melhoria nos serviços de saúde dos norte-americanos. De fato, a legislação vai enriquecer a indústria privada de saúde sem garantir atendimento de qualidade a um preço razoável para a população.

A legislação de Obama vai obrigar toda a população adulta a comprar planos de saúde de empresas privadas, sem nenhuma garantia de preços acessíveis ou cobertura adequada. Não haverá uma opção de atendimento em rede pública.

Para subsidiar as empresas de saúde para atender toda a população, o sistema de saúde pública do governo federal, Medicare, será cortado nos próximos anos em 500 bilhões de dólares. Esse dinheiro vai aumentar o poder financeiro e político das empresas de saúde para bloquear reformas no futuro.

A maioria de novas regras só vai começar em 2014. Cerca de 23 milhões ainda vão ficar sem plano por 9 anos. O que significa em média mais 23 mil mortes por ano e muito sofrimento.

Milhões de famílias de renda média, inclusive trabalhadores com emprego estável, serão pressionadas a comprar planos de saúde custando até 10% da sua renda, mas cobrindo somente 70% das suas despesas médicas. Muita gente vai se arruinar financeiramente se ficar doente.

As famílias que já têm bons convênios das empresas em que trabalham, muitas vezes conquistados através de duras lutas sindicais nas últimas décadas, vão pagar impostos extras e terão seus planos bloqueados, apesar de aumentos de custos e redução de cobertura.

Para ganhar o apoio de alguns congressistas democratas, Obama prometeu reduzir verbas de apoio ao direito ao aborto, atingindo as mulheres, que já sofrem de falta de acesso.

As regulamentações que proíbem a recusa de cobertura para pessoas com doenças pré-existentes perderam força nos últimos meses, pois as próprias empresas de saúde ajudaram a escrever as leis. Idosos podem ter que pagar até três vezes a mais que os mais jovens, e empresas com mulheres trabalhadoras em sua maioria podem ter elevado o valor de suas mensalidades até 2017.

Mesmo as poucas cláusulas que pareciam ser uma melhoria, como, por exemplo, novos controles e fiscalização sobre a indústria de saúde, vão ser anulados pelas concessões dadas no último momento às empresas e pela ampliação dos poderes das empresas farmacêuticas.

Além disso, a própria idéia de reformas no sistema de saúde deve ficar desacreditada pela população nos próximos anos. O Partido Republicano já conseguiu bastante sucesso em deslegitimar as reformas como sendo coisa de um "grande governo socialista". A direita vai aproveitar bastante nos próximos anos quando pessoas comuns tiverem que enfrentar a combinação de aumento dos custos com péssímo atendimento. Muitas pessoas continuarão odiando as empresas de saúde, mas também vão criticar qualquer sistema público de saúde diante de suas falhas, uma situação bem conhecida aqui, no Brasil.

Como o Michael Moore, diretor do excelente documentário sobre as graves falhas do sistema de saúde nos Estados Unidos, Sicko, falou:

"Essa legislação nunca foi sobre saúde pública universal. Fez coisas boas que poderiam ter feito em qualquer momento – como abolir a regra de condições pré-existentes para a cobertura para crianças. Não aboliu essa regra para adultos pelos próximos 4 anos, então podemos adicionar mais 20 a 40 mil mortes de pessoas que poderiam ter recebido ajuda se essa regra tivesse sido abolida para todos os cidadãos. O que acontece é que as empresas de saúde ainda estão no controle. Elas vão mandar. E acabaram de receber mais um subsídio do governo através da garantia de mais clientes".

A organização Médicos para um Programa Nacional de Saúde Pública condenou a legislação, enfatizando que ao invés de eliminar as raízes do problema – a indústria de saúde privada dirigida pela busca de lucros – essa nova legislação vai enriquecer e aprofundar o poder dessas empresas.

Como isso aconteceu e por que organizações progressistas estão celebrando?

Mesmo antes da eleição de Obama, o Partido Democrata já sinalizou que Obama não iria fazer reformas radicais. Mas depois de 8 anos do governo do odiado presidente George Bush, os sindicatos e movimentos sociais estavam dispostos a acreditar na esperança ofericida por Obama. E agora, frente aos ataques constantes da direita durante o primeiro ano do governo Obama e seu completo fracasso em fazer algo progressista, aceitarão qualquer coisa que supostamente representa uma derrota para a direita.

Mas é necessário ser honesto e franco. Esse plano é pior que o atual sistema e só vai alimentar as forças da direita.

Como Michael Moore disse após a regulamentação ser aprovada: os progressistas "estavam com medo de pressionar demais. Mas, francamente, se não for a gente, quem fará isso? Se não nos opormos, se dissermos que está errado, quem vai fazer isso?"

A necessidade de reformas de verdade – para tirar lucros do sistema de saúde – vai aumentar nos próximos anos e é crucial que em nossos debates e nos movimentos em que atuamos digamos claramente que o plano de saúde de Obama é um desastre para a classe trabalhadora norte-americana.



   
 
Webmaster: Edson Dias Neves - Site desenvolvido com Software Livre: Linux - Apache - PHP - MySQL