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PNDH 3: Quando o direito humano ameaça o direito do capital

A grande mídia foi tomada de histeria diante do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), anunciado pelo governo Lula no final do ano passado.

 

Houve desonestidade política e jornalística na divulgação do Plano. Trata-se apenas de uma versão mais forte de propostas que os próprios tucanos já haviam feito. Além disso, o documento ainda seria submetido a aprovação pelo Congresso Nacional e provavelmente ficaria parado lá até o início do próximo governo. Momento em que poderia ser engavetado de vez sob o pretexto de que se trata de proposta de governo passado.

 

Apesar disso, tivemos que ouvir os gritos de altos decibéis de parlamentares do DEM, jornais, TVs, e ex-membros do Comando de Caça aos Comunistas e atuais integrantes da Opus Dei, como Boris Casoy e Ives Gandra Martins. Além, é claro, dos ministros Jobim e Stephanes. Participantes de um governo que reivindica origem de esquerda, mas que só toma decisões respeitando o que é aceitável pela direita.

 

Sem demora, o governo Lula suavizou o texto da proposta. Entre outras coisas, ampliou a suspeita de terrorismo para além do Estado. Agora, não apenas os gorilas da ditadura podem ser suspeitos, mas suas vítimas também.

 

É mais um episódio que mostra que qualquer medida de avanço na ampliação de acesso aos direitos básicos para a população que ameace os interesses dos donos de latifúndios e imóveis do Leblon e Morumbi nasce pronta para morrer. Tais proprietários não concebem que a população tenha algum direito além do de trabalhar e apanhar quando protesta.

 

Estes recém convertidos à democracia querem calar qualquer tentativa de revelar que são eles os que a cada vez que a população começa a viver em uma espécie de democracia, tomam o poder destituindo governos, torturando matando opositores. São os mesmos que usam jagunços na defesa de suas propriedades improdutivas, matam Sem-Terra, distorcem notícias, atentam contra a dignidade de negros, nordestinos, indígenas, mulheres, homossexuais.

 

Foram eles que em 1989 editaram um debate presidencial para que Fernando Collor de Mello vencesse a eleição e depois esconderam este apoio quando foi descoberto o esquema de corrupção capitaneado pelo “Caçador de Marajás”.

 

Eles é que omitem mortes de crianças por Policiais Militares, assassinatos de missionários e militantes de movimentos sociais que lutam contra latifundiários como o deputado Ronaldo Caiado e a senadora Kátia Abreu. Gente que adora se dizer perseguida por ditadores, mas omitem que apoiaram a ditadura militar.

 

Esta é a reação que podemos esperar de setores da sociedade que preferem manter o país como um paraíso do capital desregulado e colocar sob mordaça qualquer movimento que busque conquistar direitos, derrubar privilégios. Preferem tornar o país algo como um imenso shopping sem lugar para os pobres miseráveis que morrem de fome ou de bala, enquanto tentam alcançar a base de uma pirâmide que os odeia.

 

Os direitos humanos somente começarão a ser respeitados quando superarmos a ordem social em que vivemos. Baseada na exploração, na opressão e na repressão covarde do Estado.  


   
 
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