Intervenção imperialista e capitalismo estão por trás do pesadelo haitiano
Dezenas
de milhares de pessoas estão mortas no Haiti. Centenas de milhares estão
feridas ou desabrigadas após o terremoto que destruiu o país em 12 de janeiro.
No mundo
todo, multiplicam-se as manifestações de solidariedade por aqueles que perderam
tanto e há uma grande vontade de ajudar.
Terremotos
são acidentes naturais: mas o tamanho do sofrimento que causam depende do lugar
em que acontecem e da assistência que suas vítimas recebem.
A
lentidão com que as maiores potências do mundo têm enviado ajuda para minimizar
a tragédia é criminosa. Seus governos só conversam, enquanto uma população
inteira fica sem comida e água e dorme a céu aberto
Os
Estados Unidos são rápidos quando se trata de disparar um míssil contra um alvo
no outro lado do mundo. Não há falta de verbas para ofensivas militares. Mas,
quando populações pobres estão sofrendo, tudo se arrasta e faltam recursos.
Os
haitianos não terão 1% de dos trilhões que foram entregues aos bancos para
salvar o sistema financeiro.
Agora
mesmo, quando os haitianos enfrentam tanto sofrimento, os turistas milionários
continuam a desfrutar do bom e do melhor na República Dominicana, que fica na
mesma ilha em que se localiza o Haiti.
No
terceiro dia após a tragédia, a população haitiana, faminta e com sede, começou
a construir barricadas com cadáveres em Porto Príncipe em protesto contra a
falta de ajuda.
A
destruição do Haiti é ainda maior por causa da pobreza extrema, causada por
dois séculos de intervenção imperialista.
Antes da
tragédia, 60% das residências de Porto Príncipe eram precárias. Os preços do
arroz, feijão, água, óleo de cozinha e gás estavam tão altos que a maioria dos
haitianos simplesmente não podiam comer. A imprensa mundial noticiou
recentemente que os pobres do Haiti estavam comendo “bolachas de lama”.
Mais da
metade da população sobrevive com menos de 1 dólar por dia. Tudo isso é uma
herança deixada pelo capitalismo e pelo imperialismo.
No século
18 milhares e escravos foram enviados para o Haiti pelas potências européias.
As grandes revoltas de escravos sob a liderança de Toussaint L’Ouverture não
apenas derrotaram os donos de escravos e três exércitos europeus, mas também
desferiram violento golpe contra todo o sistema escravista.
A revolta
causou medo e ódio entre os ricos do mundo todo. Sentimentos que duram até
hoje. Enquanto a maioria das pessoas procura ajudar as vítimas do terremoto, o
pastor americano Pat Robertson disse que os haitianos fizeram um “pacto com o
diabo” quando se revoltaram contra o sistema escravista. Por isso, estariam
sofrendo um castigo.
Mesmo
livre da escravidão, o Haiti foi forçado a pagar 150 milhões de francos em indenizações
para a França (cerca de 25 bilhões de dólares, hoje) – dívida que só foi
quitada em 1947.
Em 1915,
os Estados Unidos invadiram o Haiti para cobrar dívidas e proteger suas
empresas. As tropas ficaram no país até 1934, governando o Haiti como se fosse
uma colônia.
Os
Estados Unidos apoiaram a violenta ditadura dos Duvalier a partir de 1957
porque ela representaria uma barreira contra o comunismo.
Em 1986,
grandes revoltas populares derrubaram o ditador “Baby Doc” Duvalier, que fugiu
do país. Mas, as intervenções estrangeiras continuaram.
O povo
haitiano elegeu Jean-Bertrand Aristide presidente do país. Ele prometeu reforma
agrária, moradia digna e salários melhores. Mas, os Estados Unidos apoiaram um
golpe para derrubá-lo.
O
presidente Bill Clinton aceitou a volta de Aristide ao poder, mas sob condição
de que fosse colocado em prática um programa neoliberal, que seria chamado
pelos haitianos de “plano da morte”.
Quando
Aristide mostrou pouca vontade em colocar o plano em prática, os Estados Unidos
conspiraram com os ricos do país para depô-lo novamente.
Desde
então, tropas dos estrangeiras e da ONU ocupam o país.
Nós
defendemos:
- Comida,
moradia e outros tipos de ajuda para o Haiti, urgente!
- Contra
transformar a ajuda em arma política para impor a vontade dos Estados Unidos.
- Fim das
políticas neoliberais que exploram os pobres do Haiti
- Fim da ocupação do Haiti por tropas estrangeiras