Publicamos abaixo, com a devida autorização, carta na qual o professor Carlos
Nelson Coutinho manifesta apoio à pré-candidatura de Plínio Arruda Sampaio.
Carlos Nelson é uma referência intelectual na esquerda brasileira, fundador do
PSOL e integrante da primeira direção nacional do Partido. Este apoio traz
muita alegria a todos os que já estavam integrados à campanha em defesa da
pré-candidatura e reafirma a importância do PSOL se apresentar com cara própria
nas próximas eleições, com uma candidatura ampla e com estatura política para
unificar o PSOL e a esquerda combativa em oposição e alternativa ao PT, ao PSDB
e aos “verdes”. A carta foi escrita, para divulgação via internet, no último
dia 3 de dezembro.
“Queridos camaradas,
Creio que já não há mais dúvidas de que o “acordo” com Marina e o PV não tem
futuro.Foi bom que, para dissipar
dúvidas, Marina tenha dito hoje (cf. O Globo) que o PV não é um partido de
esquerda.Isso era óbvio, mas que ela
mesma o diga facilita a nossa decisão.É, assim, prova de ingenuidade querer se reunir com o PV, mas, ao mesmo
tempo, vetar os nomes que eles indicam para esta reunião, como o de Sarney
filho.E Sarney filho não é dos
piores.Mais perigoso é Gabeira, que tem
um discurso direitista articulado e seduz muito mais gente.
Acho lamentável o apoio público da Heloísa a Marina, decidido por ela sem
aprovação das instâncias partidárias.Se
o PSOL quer manter sua identidade e sua independência, deve desautorizar
publicamente este apoio.Sabemos todos o
mal que causou ao PT ter substituído a autonomia do partido pelas decisões de
uma liderança personalista.
Resta-nos assim rediscutir acandidatura
própria.Ela deve ser uma candidatura de
peso, em torno de um nome que tenha expressão na vida política brasileira –
pelo seu passado e pelo seu presente - e que, por isso, receba o apoio de
alguns importantes formadores de opinião.Há hoje um nome lançado que cumpre plenamente estas exigências: é o de
Plínio de Arruda Sampaio.(Basta ver, no
site de sua candidatura, os nomes que o apóiam)
Dadas as condições atuais, a proposta de qualquer outro nome me parece aumentar
ainda mais as tensões em nosso Partido.Alguns de nós preferiríamos que o candidato fosse o Temer, o Chico, a
Luciana.Mas, em função de tudo o que
aconteceu até agora, brigar por qualquer um destes excelentes nomes contra
Plínio ajudaria a fragmentar ainda mais o partido.
De qualquer modo, não podemos aceitar o veto de Heloísa, por questões
absolutamente desimportantes, contra a candidatura de Plínio.Esta candidatura, de resto, talvez ainda
tenha condições de reconstruir a Frente de Esquerda com o PSTU e o PCB.E de conquistar o apoio da maioria do
MST.Seria lamentável – e muito prejudicial
para nós – que essa Frente não fosse recomposta.
Estamos no fio da navalha.Se tomarmos
decisões corretas podemos ainda ter esperanças de exercer um papel na vida
política brasileira.Se optarmos por
escolhas equivocadas – como apoiar Marina ou lançar candidaturas inexpressivas
-, corremos simplesmente o risco de desaparecermos como força viva na arena
política e, no limite, até mesmo como partido. É grande, portanto,a nossa responsabilidade.