O
absurdo de 2012 não é a teoria de que um alinhamento de planetas
causaria catástrofes capazes de destruir a Terra. Nem acreditar que o
mundo acaba em 2012 por causa de uma profecia maia. As situações de
falso suspense também não são tão difíceis de aceitar, pois as
conhecemos de outros filmes. Heróis e heroínas sempre escapam das
piores enrascadas no último momento.
Absurdo
mesmo é ver governantes dos países mais ricos do mundo demonstrando
compaixão por seus governados. Depois de gastar bilhões em enormes
navios para salvar a si mesmos, seus familiares e auxiliares,
presidentes e primeiros-ministros resolvem deixar que o povo entre em
suas confortáveis arcas. O pior é que o presidente dos Estados Unidos
nem mesmo sobe a bordo. Fica para trás para morrer com seus
concidadãos.
O
personagem de Oliver Platt é o único que faz algum sentido. Ele é Carl
Anheuser, assessor frio e calculista da Casa Branca, que não cansa de
dizer que somente alguns podem se salvar para “continuar a espécie”.
É
esta a mentalidade reinante hoje e não deverá ser muito diferente daqui
a dois anos. É este modo de pensar que prevalece cada vez mais no
capitalismo e que ganhou novo impulso com o neoliberalismo dos últimos
30 anos. É esta a lógica que elegeu a grande maioria dos atuais
governantes. Principalmente, nos países que mandam no mundo.
Finalmente,
é esta a concepção que vem alimentando a corrida da humanidade rumo ao
desastre ambiental e social. E se os povos do mundo não impedirem, não
será preciso nenhum alinhamento de planetas para que a maior parte da
humanidade seja condenada a miséria, fome e doenças.
Acreditar em teorias fantasiosas, tudo bem. Mas, crer em governantes de alma caridosa? Haja imaginação.
Sérgio Domingues