Quilombo
vem de kilombo, palavra do idioma
mbundo, originário do centro-sul de Angola. Significa acampamento de guerra.
Por volta do final do século XVI, revoltas e fugas de escravos ao sul antiga
capitania de Pernambuco, deram origem ao Quilombo dos Palmares.
Palmares
resistiu por quase 100 anos. Em 1695, um ano depois do ataque militar que o
destruiu, Zumbi, o ultimo de seus líderes, foi executado.
A
memória de Zumbi dos Palmares vive. Resiste, como sinais de lembranças que,
emitidos no nosso passado colonial, não nos deixam esquecer da exploração, da
opressão e dos assassinatos cometidos pelas velhas classes dominantes durante a
escravatura.
Essa
memória popular, passada de geração à geração, é um importante patrimônio
histórico da classe trabalhadora. Sua força foi provada contra a monarquia e
depois contra a república dos poderosos, até nossos dias.
Mas
Zumbi e Palmares não representam apenas lembrança de uma consciência difusa da
violenta exploração e opressão racial durante o regime escravista. Simbolizam a
possibilidade e a necessidade da resistência ativa, o protagonismo histórico
daqueles que produzem a base material da vida em sociedade. Ontem e hoje,
Trabalhadores
e trabalhadoras negras vivem ainda hoje uma realidade desigual: salários mais
baixos, maior desemprego e condições gerais de vida e de futuro para seus filhos, inferiores aos
demais trabalhadores. O preconceito racial sobrevive como herança transmitida
pelos senhores de engenho aos capitalistas. A riqueza produzida pelo trabalho
escravo está na origem do capitalismo no Brasil, e a superexploração do
trabalho assalariado hoje tem nesse legado um de seus pilares.
A
lei da abolição, de 1888, foi uma ação desesperada de uma monarquia em crise,
que tentava manter-se de pé. Mas entre todos os abolicionistas da ordem,
republicanos ou monarquistas, havia um acordo: o fim da escravidão foi uma
iniciativa dos “homens de bem”, uma iniciativa, uma decisão justa, tomada a
partir de cima, para o bem dos de baixo.
Pouco
tempo antes da queda da monarquia, em 1889, um grupo de libertos de Vassouras,
no Rio, fez chegar a Rui Barbosa uma carta. Exigiam educação pública para
seus filhos, e declaravam-se os verdadeiros autores da abolição. O famoso
político republicano deixou claro: essa era uma questão nacional já revolvida
pelos cidadãos, entre os quais não se contavam ex-escravos.
Com
uma história longa, de enfrentamentos, crises e superações, o movimento negro
ressurgiu com muita força a partir da década de 1980. Apontou um caminho para
além do patamar das teorias da democracia racial e do "negro é lindo".
Depois
de 120 anos do fim da escravidão, a luta contra o preconceito racial é ainda
uma necessidade cotidiana que a classe trabalhadora enfrenta. Neste 20 de
novembro não temos nada pra comemorar. Vivemos, negros, brancos, índios e
orientais, em um acampamento global de guerra pela sobrevivência. Pertencemos,
todos, à classe trabalhadora. Somente unidos como classe podemos vencer toda forma de preconceito, opressão e exploração.
Para nós a luta contra o racismo é decisiva, porque sua sobrevivência é decisiva para o capitalismo.