Deputados favoráveis à CPI do MST receberam doações da Cutrale
Quatro
deputados federais que assinaram o requerimento favorável à criação da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST receberam doações da
Sucocítrico Cutrale, empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e
acumula denúncias na Justiça.
De acordo
com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda da
Cutrale ocupada neste mês por trabalhadores rurais Sem Terra em Iaras (SP), é
uma área pública grilada.
Arnaldo
Madeira (PSDB/SP) recebeu, em setembro de 2006, R$ 50.000,00 em doações da
empresa. Carlos Henrique Focesi Sampaio, também do PSDB paulista, e Jutahy
Magalhães Júnior (PSDB/BA), obtiveram cada um R$ 25.000,00 para suas
respectivas campanhas. Nelson Marquezelli (PTB/SP) foi beneficiado com R$ 40.000,00
no mesmo período.
Os quatro
parlamentares que votaram favoravelmente à CPI integram a lista dos 55
candidatos beneficiados pela empresa em 2006.
“O
episódio do laranjal entra numa situação de confronto dos ruralistas contra o
governo, contra o Incra e contra o MST. É importante ter clareza de que o caso,
se houvesse acontecido em outra conjuntura, não teria a mesma repercussão como
teve após o anúncio da atualização dos índices de produtividade rural”, aponta
João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.
“Apesar
de o censo do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrar que
os assentamentos são produtivos, os ruralistas não querem discutir modelos
agrícolas e colocam uma CPI para alterar o debate. O MST não tem nenhum problema
em debater com a sociedade”, completa.
A Cutrale
possui 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais, totalizando 53.207 hectares.
Destas, seis fazendas com 8.011 hectares são classificadas pelo Incra como
improdutivas. A área grilada de Iaras nem entra na conta.
Por conta
do monopólio da Cutrale no comércio de suco e da imposição dos preços,
agricultores que plantam laranjas foram obrigados a destruir entre 1996 a 2006
cerca de 280 mil hectares de laranjais.
A empresa
já foi processada por formação de cartel e danos ambientais, e seus donos
acusados por porte ilegal de armas de fogo.
Em
reportagem de 2003, uma revista denunciou que a empresa Cutrale tem subsidiária
nas Ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros.