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A Doutrina Obama de Imperialismo

A mídia tem noticiado que o governo Obama está retirando tropas de Iraque conforme suas promessas na campanha presidencial. A realidade, porém, é que a ocupação do país só mudou de forma. Não terminou. E a intensificação da guerra no Afeganistão e as bombas jogadas sobre o Paquistão mostram que o imperialismo norte-americano continua forte.

 

De fato, no Iraque, uma nova forma de colonialismo está sendo implementada. O colonialismo tradicional foi caracterizado por três características principais: o poder permanece com o país imperialista e não com o governo local; a administração colonial foi feita segundo leis e instituições diferentes das adotadas pela população local; e a economia foi moldada pra servir aos interesses do país imperialista.

 

Todas essas características estão presentes no Iraque de hoje. Não há dúvida de que o governo Obama quer reduzir o número de tropas norte-americanas no Iraque. Mas, o prazo para a retirada foi estendido para 19 meses em vez dos 16 meses iniciais. O problema é que estão para sair apenas um terço dos 130 mil soldados norte americanas no país. quase 90 mil vão continuar no país. Vários deles receberam o falso nome de “assessores militares”. É o maior numero de funcionários de uma embaixada norte americana no mundo.

 

A estratégia do governo Obama no Iraque é colocar as tropas fora das cidades e usar tropas iraquianas pra combater dentro delas. Mas o poder militar permanece com os Estados Unidos que dirigem completamente as atividades dos militares iraquianos. Os soldados iraquianos não têm artilheria, força aérea e logística próprias. E quando necessário, tropas norte-americanas têm feito ações diretas.

 

O analista norte-americano Michael Schwartz diz que a “retirada” é uma espécie de maquiagem para diminuir os protestos contra a ocupação.

 

O governo do Presidente Nuri al-Maliki está sob total influência de assessores norte-americanos e é unico aliado do imperialismo no país. Todas as outras forças políticas, especialmente os grupos sunitas e a insurgência shia de Sadre, são totalmente contra a ocupação e a influência dos Estados Unidos. A estratégia militar é usar tropas iraquianas no combater às revoltas contra a ocupação e manter o país como um aliado confiável no Oriente Médio.

 

Além disso, as tentativas de entregar a exploração do petróleo às multinacionais continuam, mesmo enfrentando forte oposição de quase todas forças políticas no país, inclusive muitos setores do próprio governo e parlamento.  

 

A doutrina Obama é uma tentativa de manter Iraque sob controle norte-americano e manter um aliado confiável no Oriente Médio, mas através de meios diplomáticos e administrativos. É só uma forma de colonialismo ligth.

 

No Afeganistão, uma estratégia semelhante está em andamento, mas com uma presença mais visível das forças militares norte-americana e da OTAN. Obama quer uma ocupação mais “leve”, com redução de feridos e mortos entre civis. Mesmo assim, o número de mortes civis continua alto. E o bombardeio das forças Talibãs no Paquistão tem provocado protestos por parte da oposição islâmica no país vizinho.

 

Os confrontos militares têm se intensificado nos últimos meses. Julho foi o pior mês em toda a ocupação do Afganistão em relação a baixas militares da OTAN. O Talibã tem sido muito mais ousado, atacando diretamente bases militares dos Estados Unidos na capital, Kabul, em julho e agosto. A grande maioria das tropas da OTAN é estadunidense. Muitos países europeus e o Canadá estão gradualmente reduzindo seu compromisso com a ocupação por causa de oposição de suas populações e a aparente inutilidade da intervenção militar.

 

O governo Obama vai enviar mais 30 mil soldados ao Afeganistão, o que certamente vai aumentar o nível de violência contra as tropas de OTAN e contra a população civil. Enquanto os Estados Unidos controlam as cidades, a vasta maioria desse país rural é controlada pela Talibã. A estratégia militar dos americanos, baseada em muitos ataques aéreos e poucos combates em terra, não está vencendo as forças de oposição.

 

Como no Iraque, pesquisas mostram que a maioria da população está contra a ocupação. O único jeito de imperialismo norte-americano manter sua influência é através da força militar e do apoio do governo clientelista e corrupto de Hamid Karzai.

 

A doutrina Obama de imperialismo é a mesma do governo Bush, mas com roupas novas. Portanto, o movimento anti-guerra precisa continuar seus esforços para acabar com as ocupações imperialistas pelo mundo.


Sean Purdy



   
 
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