O que defendemos: 1. Somos pela luta sem tréguas contra a exploração capitalista, entendendo que essa luta ultrapassa as fronteiras nacionais. Só pode ser vitoriosa em escala mundial. Mas a derrubada do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, socialista, só pode ser obra dos próprios trabalhadores. A classe trabalhadora é o setor mais explorado e oprimido do capitalismo. Portanto, é ela que deve se organizar para se libertar. A ação da classe trabalhadora não pode ser substituída por qualquer partido ou exército, não importa seus programas ou boas intenções. A derrubada do capitalismo e a construção do socialismo só poderão vir de baixo. Da ação independente dos trabalhadores e demais explorados e oprimidos. Somos contra a violência pela violência, mas sabemos que a classe dominante não abre mão de seu poder pacificamente. Os poderosos nunca vacilaram em massacrar trabalhadores e trabalhadoras, idosos e crianças, para manter a sua dominação. Foi o que aconteceu na Comuna de Paris, na Revolução Russa de 1917 e em outras revoluções. Por isso não temos ilusão de uma via pacífica, parlamentar ao socialismo. 2. Uma verdadeira sociedade socialista deve se basear na democracia a partir de baixo, através dos conselhos e organismos que realmente expressem a organização dos trabalhadores e demais explorados e oprimidos. Uma verdadeira democracia dos trabalhadores, com liberdade para as várias organizações. É o contrário dos sistemas de partido único. Socialismo nada tem a ver com isso. Por isso, reconhecemos a importância de revoluções como as da China e Cuba, e defendemos incondicionalmente os povos desses países contra os ataques imperialistas, mas não os consideramos socialistas ou Estados operários. Também nesses países, seus trabalhadores precisam se libertar. 3. Não há hoje nenhum país socialista ou Estado operário no mundo. O Estado operário surgido da Revolução Russa de 1917 teve vida curta. Foi derrotado, entre outros motivos, pelo cerco imperialista, a guerra civil e pela contra-revolução stalinista. Os regimes do chamado "socialismo real" eram regimes ditatoriais em que a burocracia dominante controlava todos os aspectos da vida social. Determinava, a partir de cima, o quê e quanto produzir, e definiam o destino do excedente econômico. Além disso, o racismo, o machismo, a perseguição aos homossexuais, tudo isso continuou nessas sociedades. 4. Apoiamos as autênticas lutas de libertação nacional e contra o imperialismo, mas tendo claro que essas lutas são inseparáveis da luta contra o próprio sistema capitalista. Nenhum povo será livre e independente enquanto for governado por exploradores e enquanto existir o imperialismo. 5. A luta anticapitalista não é apenas uma luta contra a exploração, mas é também uma luta contra a opressão. Combater o racismo, o machismo e a opressão da mulher, a discriminação e perseguição a homossexuais, a discriminação contra jovens e idosos, são aspectos essenciais da luta dos socialistas. Não são problemas secundários que só serão resolvidos num incerto futuro socialista. Sem uma luta cotidiana contra todas as formas de discriminação e opressão, a própria tarefa de derrubar o capitalismo não será possível. A classe dominante alimenta e reproduz preconceitos e discriminações para dividir a classe trabalhadora. Coloca brancos contra negros, homens contra mulheres, heterossexuais contra gays e lésbicas etc. Enquanto isso, vai mantendo seu domínio. Por isso, os socialistas devem ser defensores firmes de todos os oprimidos e explorados, transformando o combate à exploração e à opressão numa luta só. Mas a opressão não desaparecerá só com a derrubada do capitalismo. A fase de transição para uma sociedade sem exploração proporcionará melhores condições para a luta contra a opressão, mas será necessária uma luta constante mesmo no socialismo. 6. Apoiamos e participamos ativamente da luta dos explorados e oprimidos. Buscamos a unidade e a solidariedade que vá além de interesses particulares. Condenamos práticas que têm como objetivos "controlar" os movimentos, "conquistar" os aparatos de sindicatos ou associações. Não concordamos também com práticas que colocam as divergências acima da unidade. A tarefa dos socialistas é construir e consolidar um trabalho permanente de luta e de organização na base, nos locais de trabalho, nas escolas, procurando sempre contribuir para a formação de uma consciência de classe revolucionária. 7. A possibilidade de destruição do planeta não é uma simples ficção. É uma possibilidade real e deve ser combatida pela luta dos trabalhadores. É a lógica destrutiva, mercantilista e predatória do capitalismo que está levando o planeta e a humanidade ao caminho da destruição. Por isso, essa luta de vida ou morte é também uma luta contra o capitalismo, que considera mais importantes os lucros das corporações do que a vida humana e a defesa da natureza. 8. O Revolutas é um coletivo socialista e revolucionário que se baseia na teoria marxista. Mas como afirmou Trotsky "o marxismo é um método de análise, não análise de textos, e sim um método de análise da realidade". Consideramos fundamentais o legado teórico e político de revolucionários como Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Bukharin, Lenin, Trotsky, Gramsci, Labriola, Lukács, Korsch, entre outros. Também é preciso aprender com as várias e riquíssimas experiências de luta revolucionária. Tudo isso é muito importante, mas acreditamos que o desafio dos marxistas é realizar a análise concreta da realidade concreta em que atuamos. Somente assim podemos encontrar as respostas mais adequadas às exigências da luta de classes aqui e agora. |